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Cachoeiras de água cristalina e paisagens exuberantes: veja detalhes de rota turística dentro de comunidade quilombola

Veja detalhes de rota turística dentro de comunidade Kalunga No coração do Cerrado, em meio a Chapada dos Veadeiros, uma comunidade quilombola se tornou um e...

Cachoeiras de água cristalina e paisagens exuberantes: veja detalhes de rota turística dentro de comunidade quilombola
Cachoeiras de água cristalina e paisagens exuberantes: veja detalhes de rota turística dentro de comunidade quilombola (Foto: Reprodução)

Veja detalhes de rota turística dentro de comunidade Kalunga No coração do Cerrado, em meio a Chapada dos Veadeiros, uma comunidade quilombola se tornou um exemplo em gestão de turismo de base comunitária no Brasil. Dentro do quilombo Kalunga, e a cerca de 27 km da cidade de Cavalcante, o Engenho II se destaca pela facilidade de acesso e pelo pioneirismo. A rota turística da comunidade conta com cachoeiras de água cristalina, paisagens exuberantes e trilhas na natureza. Os guias são os próprios Kalungas, que montaram ao longo dos anos uma infraestrutura para receber pessoas de fora no seu território sagrado. Atualmente, o quilombo possui mais de 400 condutores de visitantes treinados e credenciados na Associação Quilombo Kalunga (AQK). No território do Engenho II, estão três cachoeiras: Santa Bárbara, Capivara e Canduru, para acessá-las os turistas têm a oportunidade de entrar nas matas do Cerrado e se conectar com a natureza. Além disso, também têm acesso à culinária Kalunga, produtos da agricultura familiar, serviços de transporte, disponibilidade de internet, banheiros e hospedagem em camping. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em entrevista ao g1, Júlia Paulino dos Santos, de 24 anos, uma das guias da comunidade, falou sobre a importância do turismo para o quilombo. “Hoje em dia, 75% da renda é vinda do turismo. Tudo gira em torno do turismo. Eu acredito que se não tem turista, não tem dinheiro”, relatou. Cachoeiras na comunidade Engenho II, território Kalunga Yanca Cristina/g1 Goiás Nascida e criada no Engenho II, Júlia se formou há mais de sete anos e exerce a profissão de guia de turismo há quatro anos. “Aqui na Comunidade Engenho II nós temos três atrativos, que são a Santa Bárbara, Capivara e Candaru. O turismo gira em torno dessas três cachoeiras e temos os restaurantes na comunidade, que nós já consideramos como atrativo também”, relatou. As comidas são preparadas com ingredientes cultivados e colhidos no próprio quilombo, feitas no fogão a lenha e servidas em construções de barro, com cobertura de palha. Uma verdadeira imersão na cultura Kalunga. A comunidade também oferece opções de pousada para quem deseja passar uma noite no território quilombola, momento em que os visitantes têm a oportunidade de ouvir os anciãos e conhecer a história local em volta de uma fogueira e sob a luz das estrelas. O povo quilombola é rico em cultura. Com giros de foliões que percorrem casas com bandeiras e instrumentos, as folias são momentos de pagamento de promessas e agradecimento por colheitas, curas e milagres que a medicina convencional muitas vezes não explica. Crianças dançando sussa, na comunidade Engenho II Yanca Cristina/g1 Goiás Entre as tradições mais marcantes, está a dança da Sussa. A dança tem origem africana e, para os Kalungas, é um símbolo máximo de agradecimento de uma dádiva e de celebração comunitária. O saber é ensinado de geração para geração e envolve crianças e adultos. A professora Eva Lúcia, de 32 anos, contou que aprendeu a dançar com a sua mãe ainda na infância. “Eu acho que a Sussa é um meio de a gente estar demonstrando nossa força, nossa resistência, o que a gente realmente é. Nosso local de fortalecimento”, ressaltou. LEIA TAMBÉM: Mais de 260 mil hectares e 39 comunidades: quilombo Kalunga celebra tombamento histórico pelo Iphan Quilombo Kalunga é reconhecido pela ONU como primeiro território no Brasil conservado pela comunidade Goiás tem mais de 30 mil quilombolas, apontam dados inéditos do Censo IBGE Para quem deseja levar um pedaço do quilombo para casa, é possível comprar lembranças produzidas na própria comunidade (veja abaixo). O local conta com uma loja comunitária, que permite aos moradores vender produtos artesanais, medicinais, alimentos e outros itens, fortalecendo a economia local. Produtos quilombolas à venda Yanca Cristina/g1 Goiás Saiba como acessar os atrativos A visita a qualquer uma das três cachoeiras dura, em média, três horas e exige esforço físico de leve a moderado. O acesso é permitido apenas com o acompanhamento de um guia Kalunga. Os visitantes podem formar grupos de até seis pessoas para dividir o custo do guia. Os valores são: R$ 200 para um atrativo, R$ 250 para dois e R$ 300 para três. Há ainda a opção do transporte Kalunga, conhecido como “pau de arara”, que proporciona uma experiência única pelos vales e serras, mas é opcional. Para a Cachoeira Santa Bárbara, o transporte custa R$ 30 por pessoa; para a Candaru, R$ 40. O pagamento deve ser feito em dinheiro ou via PIX. Cachoeira Santa Bárbara Um dos passeios mais procurados da Chapada dos Veadeiros, o roteiro até a Cachoeira Santa Bárbara combina trajeto em transporte Kalunga com uma caminhada de cerca de 3,5 km (ida e volta). No caminho, os visitantes encontram a Cachoeira Barbarazinha, um verdadeiro espetáculo natural. Valor antecipado: a partir de R$ 65 por pessoa Valor no local: a partir de R$ 75 por pessoa Cachoeira Capivara O percurso até a Cachoeira Capivara começa dentro da comunidade Engenho II e é realizado integralmente a pé, por trilhas que atravessam campos e campinas. A caminhada tem cerca de 3,4 km (ida e volta) e inclui paradas em piscinas naturais e um mirante com vista para o Vale do Fundão e o Vão de Almas. Valor antecipado: a partir de R$ 55 por pessoa Valor no local: a partir de R$ 60 por pessoa Cachoeira Candaru O passeio à Cachoeira Candaru é uma experiência de conexão com a natureza e com a força da maior queda d’água do Engenho II. Boa parte do trajeto é feita em transporte Kalunga, passando por um vale onde estão as roças e áreas de produção agrícola da comunidade. A trilha tem cerca de 1 km (ida e volta). Valor antecipado: a partir de R$ 55 por pessoa Valor no local: a partir de R$ 60 por pessoa Comunidade Engenho II, em Cavalcante Yanca Cristina/g1 Goiás Conheça o quilombo Kalunga Quilombo Kalunga, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Território, ancestralidade e força marcam o povo Kalunga, em Goiás. Com mais de 260 mil hectares de extensão territorial e 39 comunidades, o maior quilombo do Brasil celebra a conquista de um tombamento histórico, que está em fase de desenvolvimento. O convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem o objetivo de viabilizar as etapas necessárias para o avanço do processo de reconhecimento e declaração de tombamento do quilombo. Nos municípios de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, vivem cerca de 8 mil quilombolas que carregam a história de seus ancestrais: pessoas que foram escravizadas e encontraram nas montanhas um refúgio. A palavra “Kalunga” vem do bantu, um dialeto africano, e está ligada ao sagrado. “Para nós ser quilombola é um grande tesouro que temos, mas, para isso, nós temos que preservar a nossa identidade cultural, que está no nosso sangue. Quilombo sem cultura não é nada. Significa também resistência, luta, conquista, fé e coragem“, definiu o líder quilombola Cirilo dos Santos Rosa. Cirilo dos Santos Rosa, liderança quilombola Yanca Cristina/g1 Goiás Aos 71 anos e pai de 13 filhos, Cirilo se apresenta como uma liderança comunitária, nascido e criado no Engenho II, uma das comunidades situadas em Cavalcante. Ele explicou que os Kalungas existem há mais de 300 anos, quando africanos escravizados fugiam das fazendas de garimpo de ouro e se juntavam aos povos indígenas, formando uma relação de convivência e parentesco. Cirilo relatou que em 1972 foi iniciado o estudo antropológico que definiu as 39 comunidades distribuídas entre os três municípios, no coração do Cerrado. Reconhecido como Sítio Histórico e Patrimônio Cultural pelo governo de Goiás desde 1991, o povo Kalunga mantém vivas as suas tradições por meio da oralidade, do artesanato, das danças, da gastronomia e das festas religiosas. No ano 2000, a Fundação Cultural Palmares reconheceu o território e, em 2004, a regularização das terras foi iniciada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Mais de uma década depois, o quilombo foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o primeiro Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais (Ticca) do Brasil. Atualmente, a agricultura familiar e o turismo de base comunitária possibilitam que o povo Kalunga possa sobreviver e ter autonomia. Em meio a serras, morros e paisagens exuberantes, estão os guardiões do Cerrado. Com uma trajetória profundamente enraizada no território Kalunga, Dominga Natália Moreira dos Santos Rosa, de 37 anos, personifica a transição entre o conhecimento tradicional e a gestão pública. Filha de Getúlia e Cirilo, ela é professora de formação e empreendedora no setor de turismo, mas sua atuação política começou cedo, representando a comunidade desde a juventude. Atualmente, ela faz parte da Associação Comunitária do Engenho II (AKCE) e, há um ano, assumiu o desafio de comandar a Secretaria de Turismo e Cultura de Cavalcante. Dominga Natália Moreira dos Santos Rosa, de 37 anos Yanca Cristina/g1 Goiás Para a representante, a comunidade vê o reconhecimento por parte do Iphan como uma forma de fortalecer e assegurar seus modos de vida, culturas e tradições, além de proteger tanto os bens materiais quanto os imateriais. Segundo ela, o tombamento pode contribuir para a manutenção dessas práticas ao facilitar o acesso a editais e a apoios institucionais, governamentais ou não, especialmente em situações em que as pessoas já não têm condições de manter determinadas tradições por conta própria. “É um anseio da comunidade, do território”, contou. No entanto, ela ressaltou que todo o processo precisa ser construído de forma participativa, com a associação e os moradores. “Nada para nós sem nós”, reforçou, destacando que caberá à própria comunidade decidir o que deve ser registrado. Ela também apontou a necessidade de ampliar o entendimento sobre o tema entre os moradores, já que muitos não tiveram acesso à escolaridade. Para Cirilo, pai de Natália, esse reconhecimento é fundamental para garantir segurança, preservar a história e fortalecer a proteção contra invasões e atividades ilegais, como o garimpo. Ele acredita que a atuação do Iphan é essencial nesse processo, funcionando como parceiro na busca pela regularização fundiária completa e na garantia de que o território seja preservado para as futuras gerações. Comunidade Engenho II, em Cavalcante Yanca Cristina/g1 Goiás 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás